GERME – Proposta de pesquisa

postado em: Blog | 0

 

Inspirados pelo conceito ecológico de que quanto maior a diversidade, mais estável é um sistema; quanto maior a atividade biológica deste, mais a saúde predomina; de que todos os fatores são interconectados e cada pequena parte importa no bom funcionamento de todo o restante, e acompanhados das boas ideias da professora Ana Primavesi sobre como melhorarmos nesse sentido através da manutenção do solo vivo (PRIMAVESI, 2016), foram desenvolvidas as perguntas iniciais deste projeto:

 

Onde está o equilíbrio?

Como evoluir a comunicação interespécies? 

Quais as possíveis relações futuras entre o que é vivo e o que é tecnológico?

 

Através de experiências artísticas e laboratoriais, com caráter prático-teórico, GERME é um apelo para que as tecnologias que estamos gerando não nos afastem de nossa organicidade e dos processos naturais, mas que possam agir em favor de sua evolução, nos reconectando aos ciclos, para que retornemos a um estado simbiótico de existência. O intuito é gerar imersões no microcosmo, organismos estéticos (NÓBREGA, 2018) à procura do estabelecimento de relações empáticas para com as comunidades invisíveis aos olhos nus, buscando a expansão das noções de realidade e virtualidade, assim como o entendimento da necessidade de cuidarmos das outras formas de vida para que sejamos integrais e integrados, reconectando as pontas dos processos que rompemos.

 

Ansiando pela comunicação com a microfauna, aquela que não vemos e que está em tudo o que vive, pensamos que mesmo os fungos e bactérias que decompõem o nosso “lixo” têm o potencial de tecer experiências profundamente artísticas, líricas. Ela nos lembra da importância do cuidado com os produtos de nossa existência para um fechamento do um ciclo perfeito que faz com que nada seja desperdiçado e tudo possa retornar à sua devida função ecológica, sendo fonte de vida para as próximas gerações de organismos que também têm direito a desfrutar de um ambiente sadio e equilibrado. Quando nada se perde, tudo é transformado e vira matéria fecunda, fértil.

 

Também entendendo o estudo comparativo de sistemas de comunicação e regulação em seres vivos e máquinas, ou cibernética, como elemento crucial ao fazer pretendido, buscaremos a interação microrganismo-máquina-humano, com o intuito de observar a utilização dos aparatos desenvolvidos por nossa espécie por aqueles, assim como conhecer seus desdobramentos.

 

GERME é assim, uma pesquisa em arte bioeletrônica sobre as qualidades estéticas e aplicações práticas do universo dos fungos e bactérias, que visa a criação de experiências imersivas e interativas através da estimulação visual, sonora, tátil e aromática – multimídia – gerada a partir de dados, padrões comportamentais e frutos da ação dessas micro-onipresenças. Observando o micro, entendemos e curamos o macro. Damos a volta e olhamos pelo avesso. Os germes. O gérmen da existência e o próprio epílogo. O começo e o fim. Ou só o meio, o ápice, o cúmulo do ser, dependendo do ponto de vista.

 

Exercício de subjetividade – Intervenção milimétrica em aquarela

 

 

REFERÊNCIAS

 

NÓBREGA, C. Hiperorgânicos. Do cubo branco ao tesserato. MODOS. Revista de História da Arte. Campinas, v. 2, n.1, p.170-180, jan. 2018. Disponível em: ˂http://www.publionline.iar.unicamp.br/index.php/mod/article/view/943˃;DOI:https://doi.org/10.24978/mod.v2i1.943

 

PRIMAVESI, Ana. Manual do solo vivo. São Paulo: Expressão Popular, 2016.

 

LÉVY, Pierre. Cibercultura. 3 ed. Tradução de Carlos Irineu da Costa São Paulo: Editora 34, 2010.

 

LÉVY, Pierre. O que é o virtual? 2 ed. Tradução de Paulo Neves. São Paulo: Editora 34, 2011.

 

HARAWAY, Donna. Manifesto ciborgue. Ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. In: HARAWAY, D.; KUNZRU, H.; TADEU, T. Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano. Belo Horizonte: Autêntica, 2009, p. 33-118

 

TESLA, Nikola: The problem of increasing human energy, The Century Illustrated Monthly Magazine, June 1900.

 

WIENER, N. Cibernética: ou controle e comunicação no animal e na máquina. São Paulo: 1970.

 

PANGARO, Paul. What is cybernetics > https://www.youtube.com/watch?v=Oad8Ro8j_fE